Bolsonaro diz que decisão de Moraes foi 'política' e que vai recorrer da suspensão de Ramagem no comando da PF

O presidente Jair Bolsonaro, em entrevista na porta do Palácio da Alvorada e ao lado de apoiadores voltou a falar sobre suspensão da nomeação de Alexandre Ramagem para o comando da Polícia Federal. Disse que a decisão do Ministro Alexandre de Moraes foi "política" e afirmou que a nomeação de Moraes pelo ex-presidente Michel Temer para o Supremo também foi por amizade.
Moraes suspendeu a nomeação de Ramagem para a PF por desvio de finalidade, já que havia indícios de que o presidente usaria o cargo para coletar informações de processos. O delegado Ramagem é amigo pessoal dos filhos do presidente, com quem priva da intimidade. Alexandre de Moraes foi Ministro da Justiça de Temer, entre outros cargos que desempenhou na vida pública, como secretário de segurança de Geraldo Alckimin, do PSDB, além de ser constitucionalista de renome, com vários livros publicados.
"Se não pode estar na PF, não pode estar na Abin também. No meu entender, uma decisão política, política. E ontem [quarta] comecei o pronunciamento falando da Constituição. Eu respeito a Constituição e tudo tem um limite", afirmou o presidente. "Não justifica a questão da impessoalidade. Como é que o senhor Alexandre de Moraes foi para o Supremo? Amizade com o senhor Michel Temer. Ou não foi?", completou.
As declarações desta quinta do presidente Bolsonaro, diante de apoiadores, difere muito da que ele deu na cerimônia de posse do novo ministro da Justiça, André Mendonça, na presença do presidente do Supremo, Dias Toffoli, do ministro da Corte Gilmar Mendes e de outras autoridades do Judiciário. Na ocasião, o tom foi outro. Bolsonaro disse que respeitava a decisão do Supremo:
"Um pequeno parêntese: respeito o Poder Judiciário, respeito as suas decisões. Mas nós, com toda certeza, respeitamos a nossa Constituição. O sr. Ramagem, que tomaria posse hoje, foi impedido por uma decisão monocrática de um ministro do Supremo Tribunal Federal", afirmou Bolsonaro na ocasião.
Ao fundamentar a decisão de barrar a nomeação de Ramagem, Moras citou declarações do ex-ministro da Justiça Sergio Moro. Quando se se demitiu, Moro disse que Bolsonaro tenta interferir politicamente na PF. Moraes levou em conta as considerações de Moro em sua decisão.
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