Após críticas de juristas e professores, participação de Moro em evento acadêmico é cancelada

 


A participação do ex-juíz, e ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro, Sergio Moro no 3º Encontro Virtual do Conselho Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Direito do Brasil (Conpedi), programada para acontecer na próxima sexta-feira (25), foi cancelada.

O painel que seria comandado por Moro acabou sendo suspenso após juristas e professores protestarem contra sua presença e ameaçarem boicotar o evento. A participação do ex-magistrado havia sido divulgada no último sábado (19).

De acordo com informações do jornal O Globo, os comentários da publicação no perfil oficial do Conpedi foram quase unânimes contra a presença de Moro.

Em abril, o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou a decisão tomada pela Segunda Turma da Corte, que havia resultado na suspeição do ex-juiz no julgamento de processo envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no caso do triplex do Guarujá.

Atualmente, o ex-ministro vive em Washington, capital dos EUA, e trabalha na consultoria norte-americana Alvarez & Marsal, que atua no processo de recuperação da Odebrecht - um dos alvos da operação Lava Jato. 

A publicação destaca que, por exemplo a manifestação do reitor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Ricardo Lodi, que atuou na defesa da ex-presidente Dilma Roussef (PT) durante o processo de impeachment. Ele classificou a realização do painel de Moro como um "desrespeito a todos os pesquisadores em Direito no Brasil".

"É um desrespeito a todos os pesquisadores em Direito do Brasil a realização da mesa que o CONPEDI está anunciando para o seu III Encontro Virtual, intitulada “O papel do setor privado em políticas anticorrupção e de integridade”, coordenada por ninguém menos do que o Sr. Sérgio Moro, que desacreditou os esforços do sistema de justiça no combate à corrupção, a partir de uma atuação reconhecidamente parcial", escreveu.

O patrocínio da Apsen Farmacêutica a painéis do evento também foi alvo de críticas. A empresa é uma das maiores fabricantes de cloroquina do país, medicamento defendido pelo presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido) durante a pandemia, embora seja comprovadamente ineficaz para tratar a Covid-19.

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