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Com 1,2 bilhão de receita e marca de uma década sem atrasar salário, Flamengo tem prioridade em 2023

 


O Flamengo completou 127 anos na terça-feira e tem muitos motivos para comemorar pelas conquistas dentro e fora de campo, que dão aos torcedores a sensação de que será possível se manter firme no protagonismo do futebol brasileiro.

O clube alcançará uma marca simbólica que já foi impensável no passado: passar uma década sem atrasar salário (nota: em 2014, o clube atrasou o pagamento em alguns dias em uma ocasião por causa de uma verba retida pelo Banco Central).


Impulsionado pelas premiações dos títulos da Copa do Brasil e Libertadores, o Flamengo vai terminar 2022 com a receita bruta de R$ 1,2 bilhão, R$ 200 milhões acima da previsão de R$ 1 bilhão. Fato que foi comemorado internamente: pelo segundo ano consecutivo, as receitas de marketing/comercial e matchday (bilheteria + sócio-torcedor) vão superar o valor ganho pelo clube com transmissão e premiações.

Apesar da receita recorde, o clube não alcançou a meta de venda de atletas, pois entendeu que era preciso deixar o elenco forte e investir para a disputa dos títulos, e também não cumpriu a previsão de ficar ao menos no segundo lugar do Brasileiro.


Para 2023, a previsão orçamentária é novamente de R$ 1 bilhão - ainda não está definida a verba destinada a comprar direitos de jogadores para reforçar o time.

Banco virtual, o grande projeto do Flamengo em 2023


O principal projeto institucional do Flamengo na próxima temporada é a consolidação da parceria e eventual venda de uma parte do Nação BRB Fla, que alcançou a marca de 3 milhões de contas.

- Quando este grupo chegou ao clube, em 2012, nenhum banco nos emprestava dinheiro, e hoje o Flamengo é dono de um banco, é quem empresta o dinheiro. O tamanho do clube nos dá oportunidades que vão muito além do futebol - disse ao ge o vice-presidente de Finanças do Flamengo, Rodrigo Tostes.

O planejamento não necessariamente passa por fazer um IPO (quando há uma oferta pública em que as ações da empresa são vendidas ao público geral na bolsa de valores), mas também, por exemplo, vender uma fatia a um outro banco.


- Temos um projeto grande de marketing com o BRB para aumentarmos os benefícios e tornar ainda mais atrativo. As empresas do ramo estão passando por um momento de ajustes, mas temos uma diferença para os demais bancos, porque a fidelização de nossa torcida é muito maior do que a de uma empresa comum - disse Rodrigo Tostes.


O presidente Rodolfo Landim e sua equipe acreditam que o sucesso do projeto do Nação BRB Fla poderá alavancar outros projetos, como o de internacionalização da marca, ao servir como um bom exemplo para atração de investidores.


O Flamengo ainda tem o objetivo de ter uma "filial", em princípio em Portugal, mas ainda está em busca de investidores parceiros.

Estádio é um sonho, mas sem endividar o clube


O projeto com o BRB também se interliga com o sonho do Flamengo de construir seu estádio próprio. Mas a diretoria determinou que não fará nada que corra o risco de aumentar o endividamento do clube, que terminará 2022 com R$ 270 milhões de dívida e planeja diminuir para R$ 250 ao fim de 2023.


O momento atual em relação ao estádio é a busca de opções. Enquanto isso, o Flamengo espera ganhar a licitação do Maracanã quando ela existir.


Diminuição de despesas, aumento de investimento e olho nas SAFs


"O Flamengo é rico e não precisa se preocupar com dinheiro". Essa é uma frase que está proibida na Gávea. Além do projeto do banco, Rodolfo Landim e a área financeira terão outra missão muito clara em 2023: otimizar despesas em todas as áreas do clube.

A ideia é ter mais sobra de dinheiro para investir no próprio futebol (aquisição de atletas mais jovens, melhorias no Ninho do Urubu, reforma dos campos e etc). A diretoria do Flamengo também está de olho na concorrência que a injeção de dinheiro nos clubes que viraram SAFs poderá ter de influência.


- O presidente Landim pediu que o Financeiro e Planejamento se concentrem na eficiência das despesas em 2023. O clube precisa que sobre cada vez mais recursos para investimento. Não podemos nos acomodar, ainda mais agora com dinheiro novo entrando com as SAFs. Nosso resultado esportivo e financeiro é ótimo, mas dependemos do próprio clube. Nosso modelo não contempla “pai rico” ou mecenas, somos autossuficientes. Então, ser eficiente e fundamental - finalizou Rodrigo Tostes.


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