Chico do Doce disse na Câmara que Moema foi demitida por suposta perseguição política e representante da prefeitura vinculou a demissão à perda de um convênio por culpa da profissional .
Fonte: Grupo Ibicaraí - José Nilton Calazans
A demissão da técnica em assistência social Moema Conceição Scher abriu um novo foco de tensão política em Ibicaraí após vir à tona uma disputa de versões sobre a perda de um convênio destinado à construção de um novo Centro de Referência de Assistência Social (CRAS).
O caso ganhou repercussão depois que o presidente da Câmara, Francisco Araújo Henrique, o Chico do Doce, afirmou em sessão legislativa na noite desta quinta-feira (19) que a servidora teria sido afastada por motivação política, após ser vista em sua companhia.
A declaração foi rebatida por Nara Nogueira, representante da prefeitura, que atribuiu o desligamento a problemas interpessoais e, principalmente, à suposta responsabilidade da técnica pela perda de um convênio estimado em cerca de R$ 800 mil.
Diante da acusação, Moema divulgou uma carta aberta, ainda nesta tarde, negando qualquer relação entre sua saída e a perda do recurso.
Ela afirma na carta que o convênio — voltado à construção de um CRAS, com valor citado por ela em R$ 700 mil — não estava sob sua responsabilidade exclusiva e descreve um processo mais amplo, que envolvia diferentes setores da administração municipal.
Segundo a técnica, até janeiro de 2026 o projeto estava sob condução de uma assessoria externa, a Rios Consultoria, em conjunto com a equipe de engenharia da prefeitura.
Após a saída da empresa, a responsabilidade teria sido redistribuída entre a engenharia e a equipe técnica da Secretaria de Assistência Social, esta última, segundo ela, sem treinamento suficiente para lidar com todas as exigências do convênio.
Para tentar esclarecer, o Grupo Ibicaraí buscou e teve acesso a um documento oficial relativo ao convênio, que confirma a versão relatada por Moema.
O documento oficial do governo estadual que rege o processo confirma que o município precisava cumprir uma série de exigências técnicas e administrativas dentro de prazo rígido.
A documentação deveria ser enviada entre 2 e 18 de fevereiro de 2026, até as 14h.
Entre os itens obrigatórios estavam memorial descritivo, planta georreferenciada, comprovação da propriedade do terreno, relatório fotográfico e documentos com assinaturas do responsável técnico, do secretário da pasta e do prefeito.
Também havia exigências ligadas à composição da equipe do CRAS.
Esse conjunto de requisitos indica que o cumprimento do convênio dependia da atuação coordenada de diferentes setores, especialmente engenharia, assistência social e gestão superior.
Ou seja, a responsabilidade era compartilhada entre diferentes profissionais, incluindo chefias.
Na carta, Moema afirma que comunicou formalmente problemas no processo antes do prazo final.
Segundo ela, a pendência mais crítica estava na documentação da engenharia, que teria sido entregue com atraso de cerca de cinco horas após o prazo limite e ainda sem as assinaturas obrigatórias.
Ela também relata que tentou acionar a secretária da área na manhã do último dia, sem sucesso. Em relação ao setor de recursos humanos, sustenta que as exigências foram cumpridas dentro do prazo.
A versão apresentada pela prefeitura, por outro lado, não veio acompanhada de documentos ou detalhamento técnico do processo.
O Grupo Ibicaraí teve acesso um documento sobre o convênio e ainda pediu mais informações à representante da prefeitura.
A mensagem divulgada por Nara atribui a perda do convênio à atuação da técnica, mas não especifica qual etapa do procedimento teria sido de responsabilidade direta dela nem apresenta registros que comprovem eventual falha individual.
Além disso, o próprio comentário oficial traz inconsistência ao citar o valor do convênio em R$ 800 mil, enquanto a servidora menciona R$ 700 mil.
Do ponto de vista administrativo, o tipo de convênio em questão envolve responsabilidade compartilhada.
A documentação exigida depende de validação técnica, produção de peças de engenharia e assinaturas de autoridades, o que torna improvável que uma única servidora responda isoladamente pelo resultado final do processo.
Sem acesso aos registros do sistema de envio, aos protocolos internos e aos documentos produzidos de cada setor, não é possível afirmar com segurança em que parte é momento exatamente ocorreu a falha decisiva.
O Grupo Ibicaraí continua sendo m busca dessas informações.
O caso expõe mais do que um conflito individual.
Ele revela fragilidades graves na gestão de convênios em Ibicaraí, especialmente na transição entre equipes, na capacitação técnica e na coordenação entre setores.
Também levanta questionamentos sobre a transparência na apuração de responsabilidades e sobre o uso político de decisões administrativas, em um ambiente já marcado por forte polarização na Câmara.
Até o momento, a prefeitura não apresentou publicamente documentos que sustentem de forma objetiva a responsabilização exclusiva de Moema.
Já a técnica, ao detalhar prazos, setores envolvidos e etapas do processo, construiu uma versão que encontra respaldo nas exigências formais do convênio.
O desfecho do caso dependerá da divulgação de registros oficiais que permitam reconstruir com precisão o fluxo do processo e identificar, de forma técnica, em que ocorreu a falha que levou à perda do recurso.



.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)


Enviar um comentário
0 Comentários