Ângelo Coronel jogou alto. E, ao que tudo indica, perdeu o timing. Na política, quando a porta fecha, não adianta bater: é preciso ter a chave. Ele não tem.
| Fonte:Políticos sul da Bahia |
A chapa do governador Jerônimo Rodrigues para o Senado já estaria definida com Jaques Wagner e Rui Costa. Com isso, Coronel ficou do lado de fora do desenho principal — e o que era ameaça virou constrangimento.
Restou tentar a outra margem. Coronel procurou ACM Neto, mas com uma condição que, em ano de eleição, soa como ultimato: ser o único nome ao Senado pela oposição. A conversa não avançou. Neto tem compromisso com João Roma, peça necessária para segurar o PL no palanque. E palanque, como se sabe, não comporta vaidades demais quando o cálculo é de sobrevivência.
Se insistir numa candidatura avulsa pelo PSD, Coronel corre o risco de entrar na campanha como quem entra numa disputa sem time: sem cabeça de chapa ao governo, sem tração nas grandes cidades, sem a engrenagem que puxa voto. O resultado pode ser cruel — e a urna não costuma ser gentil com quem aparece como “candidato sem chão”.
A cena lembra, em parte, César Borges em 2010, senador e candidato a reeleição. Quase foi com Wagner, acabou na chapa de Geddel e pagou o preço: votação magra, peso político reduzido, e a sensação de que chegou atrasado ao lugar onde a política realmente se decide.
Coronel é habilidoso, experiente, conhece o tabuleiro. Mas blefe exige leitura fina do adversário — e, nesse jogo, ele enfrentou gente que joga xadrez olhando três lances adiante: Wagner, Rui, Otto e ACM Neto. Quando os mais ágeis se mexem primeiro, sobra pouco espaço para quem acredita que o tempo ainda está do seu lado.


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