A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) deve decidir nesta terça-feira (16) se condena ou absolve o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) do crime de coação no curso do processo.
Caso seja condenado, Eduardo – que está nos Estados Unidos– pode ficar inelegível.
Em maio, o ex-deputado foi acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de atuar junto ao governo Donald Trump, dos Estados Unidos, para criar um clima de instabilidade e temor, ameaçando e projetando retaliações estrangeiras contra ministros do Supremo e o Brasil.
O objetivo, segundo a PGR, era tentar impedir que o ex-presidente Jair Bolsonaro fosse condenado na chamada trama golpista.
🔎O crime de coação no curso do processo judicial fica configurado quando há o uso de violência ou grave ameaça para favorecimento de interesse próprio ou alheio contra autoridade envolvida no caso. A pena é de 1 a 4 anos de prisão.
➡️Eduardo será julgado na Primeira Turma porque o caso é de relatoria do ministro Alexandre de Moraes, que integra o colegiado.
Rito de julgamento
O julgamento começa com um relatório feito por Moraes, que resume os principais pontos e andamentos do processo.
Na sequência, a PGR apresenta a acusação e pede a condenação do ex-deputado. A PGR tem até uma hora para manifestação.
Depois, é a vez da defesa de Eduardo Bolsonaro. Como ele não indicou advogado, a Defensoria Pública da União (DPU) será a responsável e pede a nulidade do processo, por vícios formais, ou a absolvição por falta de provas. A DPU também terá até uma hora para se manifestar.
A votação é aberta com a posição do relator. Votam ainda os ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino, que é o presidente da Primeira Turma. Não há limite de tempo para os votos. São necessários 3 votos para condenação ou absolvição.
Os ministros vão decidir se há elementos suficientes que confirmem a participação de Eduardo Bolsonaro no crime apontado pela PGR. No Supremo, a expectativa é de que Eduardo Bolsonaro seja condenado.
Afirma que as provas reunidas ao longo do processo confirmam a conduta criminosa, sendo que o objetivo sempre foi o de sobrepor os interesses da família Bolsonaro às normas do devido processo legal e do bom ordenamento da Justiça para livrar o pai da responsabilização criminal .
Acusação
No pedido de condenação, a PGR afirma que "a acusação, tal como exposta na denúncia, foi confirmada por robusto acervo documental".
A Procuradoria lista uma série de declarações de Eduardo, em entrevistas e em postagens em redes sociais, além de trocas de mensagens com Jair Bolsonaro que revelam articulações nos Estados Unidos para constranger a cúpula do Judiciário.
A acusação sustenta que as condutas criminosas de Eduardo estruturaram-se em torno da ameaça de obtenção de sanções estrangeiras, significativamente graves para os ministros do Supremo Tribunal Federal como para o Brasil, sendo que algumas foram efetivamente aplicadas após a mobilização de agentes norte-americanos.
"Comprovou-se que tais ameaças não foram declarações genéricas ou impessoais, mas ações direcionadas e dotadas de potencialidade lesiva".
A PGR aponta que entre os elementos de prova estão:
Nota de Donald Trump anunciando que decretava tarifas comerciais de 50% sobre as exportações de produtos brasileiros aos Estados Unidos. O texto mencionava que o processo contra Jair Bolsonaro “não deveria estar acontecendo”, afirmando que o julgamento – o qual denominou como “caça às bruxas” – deveria cessar imediatamente;
Entrevista de Eduardo falando de sua atuação para a imposição de tarifas e convocando a “elite brasileira” a endossar as pressões sobre Moraes;
Eduardo agradecendo o presidente dos Estados Unidos após a Secretaria de Estado norte-americana anunciar a suspensão de vistos norte-americanos para oito ministros do STF e fazendo novas ameaças os julgadores da Suprema Corte;
Anúncio do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos aplicando sanções financeiras ao ministro Moraes com base na Lei Global Magnitsky de Responsabilidade pelos Direitos Humanos. O comunicado cita atuação do ministro no processo de Bolsonaro como “caças às bruxas”;
Repercussões na economia nacional ligadas à conduta de Eduardo, com prejuízos concretos a diversos setores produtivos por causa da sobretaxa;
Trocas de mensagens entre Eduardo e Jair Bolsonaro. Em uma delas, Eduardo instruiu o pai quanto ao momento e ao conteúdo de suas manifestações públicas, reparando que declarações desalinhadas poderiam comprometer o andamento das articulações: “se você disser algo sobre EUA que não se encaixar com o que estamos fazendo aqui, pode enterrar algumas ações” .


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